Se você faz parte do seleto grupo de professores que atuam em instituições que já possuem um laboratório de informática, parabéns. Você é um privilegiado. A má noticia é que cabe a você uma responsabilidade enorme. Como e o quê utilizar nessa ferramenta tão importante?
Opções de softwares ditos educacionais não faltam no mercado (e mesmo na internet). Mas a questão é: será que os softwares são adequados para a realidade de sua escola?
Sabemos que cada instituição de ensino tem suas próprias características, suas próprias necessidades. Um software não pode ser “universal” entre escolas de uma mesma rede. O problema é maior quando nem existem softwares educacionais instalados nas máquinas. Nesse caso, o computador vira um brinquedo, um passatempo dentro da escola, e perde completamente sua função educacional.
Fica claro, então, que a escolha dos softwares que serão utilizados deve passar pelo crivo das pessoas diretamente envolvidas no processo de ensino, ou seja, dos professores. No entanto, não basta reunir os professores de uma escola em uma sala e “votar” entre um programa A ou B, sem que se faça uma análise profunda de todos os recursos de cada programa e das opções disponíveis. Essa escolha deve ser feita, antes de mais nada, por pessoas que tenham domínio de informática.
Seria quase uma utopia falar sobre isso quando sabemos que a grande maioria dos professores mal sabe elaborar uma avaliação utilizando um editor de texto. Porém, a análise de um sistema computacional com finalidades educacionais não pode ser feita sem considerar o seu contexto pedagógico de uso. Um software só pode ser tido como bom ou ruim dependendo do contexto e do modo como ele será utilizado. Portanto, para ser capaz de qualificar um software é necessário ter muito clara a abordagem educacional a partir da qual ele será utilizado e qual o papel do computador nesse contexto. E isso implica ser capaz de refletir sobre a aprendizagem a partir de dois pólos: a promoção do ensino ou a construção do conhecimento pelo aluno (VALENTE,1993). Resumindo, a avaliação dos programas que serão utilizados nos computadores da escola não pode ser feita por pessoas que não conheçam as praticas pedagógicas, nem tampouco por pessoas que desconheçam o funcionamento da máquina e seus recursos. Fazendo uma analogia, seria o mesmo que pedir a um psicólogo que avalie o funcionamento do motor de um carro, ou pedir a um mecânico de automóveis que avalie o funcionamento da mente humana.
Precisamos ter em mente que, além de ferramentas tecnológicas nas escolas, precisamos de pessoas preparadas para utilizá-las. Parafraseando o Prof. José Valente, da UNICAMP, devemos ter muito claro que o que é importante do ponto de vista pedagógico é como tirar proveito da tecnologia para atingirmos nossos objetivos. Isso é ser inteligente. Informatizar puramente o ensino é solução mercadológica, moderninha, paliativa e que só contribui para adiar as grandes mudanças que o atual sistema de ensino deve passar. E isso não é solução inteligente!
Aqui é o espaço pra você conhecer temas recentes, tirar suas dúvidas e compartilhar conhecimento.
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segunda-feira, 1 de junho de 2009
Novas tecnologias na escola: Qual é realmente a discussão?
Muito se tem falado, nos fóruns de debate de educação, entre os estudiosos e intelectuais, a importância da inclusão social nas nossas escolas, da conexão dessas escolas à internet banda larga, da criação de laboratórios de informática e da criação de espaços multimídia. Particularmente, e como professor de rede publica de ensino, acredito que a discussão deve ser outra: Como integrar novas tecnologias em escolas onde o uso de uma simples calculadora ainda é tabu?
Ainda hoje é comum ouvirmos pais questionando o sistema educacional quando se permite o uso de tão importante ferramenta, que livra o aluno de cálculos mecânicos e sem sentido. E o motivo desse questionamento é um erro que está sendo novamente cometido em se tratando dos computadores nas escolas. Discute-se SE devemos ou não utilizá-lo, enquanto deveríamos discutir COMO utilizá-lo como ferramenta em nossas aulas. Computadores, assim como calculadoras, são ferramentas presentes e largamente utilizadas cotidianamente, seja por alunos (fora do ambiente escolar) ou não. Não podemos fechar os olhos a essa realidade, e com isso, continuar fazendo da escola um espaço alheio à vida do estudante. De acordo com Marise Schmidt Veiga (2001), “como toda tecnologia, a introdução dos computadores na educação apresenta aspectos positivos e negativos. Para que uma instituição escolar introduza a informática, é preciso ter em primeiro lugar um plano pedagógico, onde serão discutidos os objetivos de sua utilização como ferramenta educativa e a escolha do software educativo que possa ser usado para ajudar a atingir mais fácil e eficientemente os objetivos educacionais, não deixando, portanto, que o computador se torne um brinquedo”.
Mas deve ficar claro também que a utilização, mesmo que bem planejada, do uso de novas tecnologias, não irá resolver todos os problemas da educação brasileira. De acordo com Souza, subestimar ou hipervalorizar as características do computador já é meio caminho andado para o fracasso do computador como auxiliar de ensino. (Souza, 1996). A discussão deve ser muito mais ampla. Comprar os mais modernos computadores e montar caríssimos laboratórios de informática sem antes passar por essa discussão é jogar dinheiro (e tempo) fora. O uso da informática em educação não significa a soma de informática e educação, mas a integração dessas duas áreas. Acreditar que o computador por si só revolucionará a educação é, como já tivemos oportunidade de ver no caso das calculadoras, uma falácia que só contribui para o atraso na implementação eficiente desse recurso no ensino. Na visão de Maria Helena Bonilla, “o computador tem chegado à escola, na maioria dos casos, sem o respaldo de uma proposta pedagógica gerada a partir de um estudo sistemático da comunidade escolar envolvida; a maioria dos projetos envolvendo Educação e Informática desenvolvidos pelas escolas são elaborados por grupos externos a elas, o que sujeita os poucos professores que se envolvem nesses projetos ao papel de meros discípulos”. É preciso que toda a comunidade escolar esteja envolvida nesse processo. Professores e diretores devem conhecer os objetivos e dominar as estratégias de ensino que serão utilizadas. Os pais devem ser informados sobre a real finalidade do uso de novas tecnologias, para que possam se tornar parceiros de uma nova educação, que realmente faça sentido para nossos jovens e crianças.
Ainda hoje é comum ouvirmos pais questionando o sistema educacional quando se permite o uso de tão importante ferramenta, que livra o aluno de cálculos mecânicos e sem sentido. E o motivo desse questionamento é um erro que está sendo novamente cometido em se tratando dos computadores nas escolas. Discute-se SE devemos ou não utilizá-lo, enquanto deveríamos discutir COMO utilizá-lo como ferramenta em nossas aulas. Computadores, assim como calculadoras, são ferramentas presentes e largamente utilizadas cotidianamente, seja por alunos (fora do ambiente escolar) ou não. Não podemos fechar os olhos a essa realidade, e com isso, continuar fazendo da escola um espaço alheio à vida do estudante. De acordo com Marise Schmidt Veiga (2001), “como toda tecnologia, a introdução dos computadores na educação apresenta aspectos positivos e negativos. Para que uma instituição escolar introduza a informática, é preciso ter em primeiro lugar um plano pedagógico, onde serão discutidos os objetivos de sua utilização como ferramenta educativa e a escolha do software educativo que possa ser usado para ajudar a atingir mais fácil e eficientemente os objetivos educacionais, não deixando, portanto, que o computador se torne um brinquedo”.
Mas deve ficar claro também que a utilização, mesmo que bem planejada, do uso de novas tecnologias, não irá resolver todos os problemas da educação brasileira. De acordo com Souza, subestimar ou hipervalorizar as características do computador já é meio caminho andado para o fracasso do computador como auxiliar de ensino. (Souza, 1996). A discussão deve ser muito mais ampla. Comprar os mais modernos computadores e montar caríssimos laboratórios de informática sem antes passar por essa discussão é jogar dinheiro (e tempo) fora. O uso da informática em educação não significa a soma de informática e educação, mas a integração dessas duas áreas. Acreditar que o computador por si só revolucionará a educação é, como já tivemos oportunidade de ver no caso das calculadoras, uma falácia que só contribui para o atraso na implementação eficiente desse recurso no ensino. Na visão de Maria Helena Bonilla, “o computador tem chegado à escola, na maioria dos casos, sem o respaldo de uma proposta pedagógica gerada a partir de um estudo sistemático da comunidade escolar envolvida; a maioria dos projetos envolvendo Educação e Informática desenvolvidos pelas escolas são elaborados por grupos externos a elas, o que sujeita os poucos professores que se envolvem nesses projetos ao papel de meros discípulos”. É preciso que toda a comunidade escolar esteja envolvida nesse processo. Professores e diretores devem conhecer os objetivos e dominar as estratégias de ensino que serão utilizadas. Os pais devem ser informados sobre a real finalidade do uso de novas tecnologias, para que possam se tornar parceiros de uma nova educação, que realmente faça sentido para nossos jovens e crianças.
segunda-feira, 6 de abril de 2009
Tecnologias da informação e a escola da atualidade
Um dúvida frequente permeia os professores e o ambiente escolar: Até onde o uso da tecnologia da informação pode ser utilizada para o processo ensino-aprendizagem de nossos alunos? Afinal, o computador é amigo ou inimigo da educação?
Antes de mais nada, devemos deixar uma coisa bem clara: Quando falamos de tecnologias de informação, não estamos falando de máquinas. Na verdade, nos referimos ao desenvolvimento de técnicas e práticas para transformar a informação em conhecimento, e este em experiência. Como já dizia BUENO, tecnologia é " um processo contínuo através do qual a humanidade molda, modifica e gera a sua qualidade de vida. Há uma constante necessidade do ser humano de criar, a sua capacidade de interagir com a natureza, produzindo instrumentos desde os mais primitivos até os mais modernos, utilizando-se de um conhecimento científico para aplicar a técnica e modificar, melhorar, aprimorar os produtos oriundos do processo de interação deste com a natureza e com os demais seres humanos." (1999, p.87)
Para tanto, podemos utilizar ferramentas tecnológicas como o computador. Mas ferramentas são, no mínimo, substituíveis.
Essas técnicas podem se tornar realizáveis em qualquer ambiente escolar, mesmo que na escola não existam ferramentas tecnológicas adequadas.
Um professor de geografia pode, por exemplo, relacionar os meridianos e paralelos do mapa-múndi ao sistema gráfico de coordenadas cartesianas estudados em matemática, e vice-versa. o aluno perceberá que se trata de um mesmo assunto observado sob a ótica de dois conteúdos distintos. Um professor de química, ao discorrer sobre os modelos atômicos, atravessa atravessa importantes épocas da literatura e da história. Se esses três professores puderem trabalhar em conjunto, os alunos poderão perceber que um único fato traz reflexos em todas as áreas do conhecimento humano. E nisso consiste a tecnologia da informação: na capacidade de estabelecer ligações entre um tema e outro aparentemente distinto do primeiro, compreendendo os dois.
Antes de mais nada, devemos deixar uma coisa bem clara: Quando falamos de tecnologias de informação, não estamos falando de máquinas. Na verdade, nos referimos ao desenvolvimento de técnicas e práticas para transformar a informação em conhecimento, e este em experiência. Como já dizia BUENO, tecnologia é " um processo contínuo através do qual a humanidade molda, modifica e gera a sua qualidade de vida. Há uma constante necessidade do ser humano de criar, a sua capacidade de interagir com a natureza, produzindo instrumentos desde os mais primitivos até os mais modernos, utilizando-se de um conhecimento científico para aplicar a técnica e modificar, melhorar, aprimorar os produtos oriundos do processo de interação deste com a natureza e com os demais seres humanos." (1999, p.87)
Para tanto, podemos utilizar ferramentas tecnológicas como o computador. Mas ferramentas são, no mínimo, substituíveis.
Essas técnicas podem se tornar realizáveis em qualquer ambiente escolar, mesmo que na escola não existam ferramentas tecnológicas adequadas.
Um professor de geografia pode, por exemplo, relacionar os meridianos e paralelos do mapa-múndi ao sistema gráfico de coordenadas cartesianas estudados em matemática, e vice-versa. o aluno perceberá que se trata de um mesmo assunto observado sob a ótica de dois conteúdos distintos. Um professor de química, ao discorrer sobre os modelos atômicos, atravessa atravessa importantes épocas da literatura e da história. Se esses três professores puderem trabalhar em conjunto, os alunos poderão perceber que um único fato traz reflexos em todas as áreas do conhecimento humano. E nisso consiste a tecnologia da informação: na capacidade de estabelecer ligações entre um tema e outro aparentemente distinto do primeiro, compreendendo os dois.
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